quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Chuva!

Hoje a chuva resolveu lavar a cidade e as nossas almas. Desceu sem piedade arrastando desde a sujeira até a alegria de muitos que, cabisbaixos, encolhem-se e atravessam ruas e avenidas para seus compromissos inadiáveis. Para uns, é só chateação, outros, transtornos, haja vista a impaciência no trânsito, o mau humor, a intolerância no trato com o outro.
               Mesmo com todos os transtornos, nunca encarei chuva como um problema. Ao contrário, sempre me deixa feliz, evocando lembranças especiais, constitutivas de minha personalidade, meu jeito de ser e ver o mundo.Talvez não seja, mas gosto de imaginar que meu elemento é a água.
                Hoje, em especial, o barulho da chuva na vidraça me fez lembrar os transgressores tempos de menina correndo livre, de roupa colada ao corpo, rindo feliz, sem importar-me com os zangados “sai da chuva” ou as ameaças do “vai ficar doente”, “mamãe vai brigar” e tantas outras proferidas por minhas ajuizadas irmãs.
               Através desses momentos é que me dei conta de que a meninice permaneceria na alma, embora o  corpo estivesse mudando. Tomei consciência disso quando percebi que os olhares direcionados aos meus seios, as minhas pernas e quadris já não eram os mesmos. Isso me assustou e ao mesmo tempo envaideceu.
                Havia um quê de surpresa ao constatar a transformação. Eu, menina comum, sem atrativos excepcionais, ao me descobrir mulher, descobri também que possuía um inquietante poder. A curiosidade e a desenvoltura com as palavras tornaram-se marcas do meu jeito de ser, assim como o ar petulante, sequioso por compreender tudo o que me cercava.A chuva de hoje trouxe junto uma enxurrada de boas lembranças daquela menina descobrindo o mundo, desabrochando para a vida. Tempos de “ inverno”, mas de "primavera" na alma.
           
                Aprendi a meditar com a chuva. Acalmo-me. Respiro, procurando sentir seu cheiro. Adoro a música da ventania na folhagem. Adoro o barulho no telhado e, sempre que posso, escolho a chuva como companheira para ouvir música, para ler, para dormir. E, como nasci num lugar em que a chuva sempre significou muito e é sempre muito bem vinda, acho graça quando alguns revelam seu medo ou desconforto com a chuva. Na minha vida, sempre será um momento de rara beleza, inspiração e alegria.Minha relação com a chuva também não mudou. A chuva me renova e inspira. Dizem que tomei água das primeiras chuvas do primeiro janeiro de minha vida. Deve ser verdade.
Hoje tive uma das melhores experiências da vida que ser criança eternamente é essencial para a vida é como sair na rua e ficar pulando e rodopiando em torno do nada e olhando para apenas um ponto fixo e saber que a Felicidade traz de volta a infancia e o amor transborda em meio a agua que se cai do céu do infiniitoo céu.Alguns me chamam de louca,mas essa louca que hoje viveu e soube realmente o que é a felicidade.

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